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#36 | MAIO 2011
GUIRISH VAGUELA
Director de Sistemas de Informação/Retail do Grupo Kyaia
"O RFID usa tags que são lidas à distância"

Qual o papel que o Director de Sistemas de Informação (DSI) assume numa empresa como o Grupo Kyaia?
O Grupo Kyaia é totalmente informatizado, desde o processo de fabrico. Tem várias fábricas, duas delas no norte do país. A área que normalmente ganha prémios na área da tecnologia, é a parte do reatail.
O papel do DSI passa por gerir os vários sistemas de informação que o Grupo tem. O meu papel até passa mais pela parte do desenvolvimento das aplicações que temos, pois estas são mesmo construídas por nós. Portanto, o trabalho vai desde a análise dos requisitos ao desenvolvimento do próprio sistema.

O Grupo Kyaia venceu a categoria Best Enterprise Solution da edição deste ano dos prémios Retail Technology Europe Award (reta) do Instituto EHI Retail Institute. O prémio reconhece as melhorias feitas pelo Grupo Kyaia utilizando RFID (Rádio Frequency Identification) em toda a cadeia logística da sua marca internacional, a FLY London. Qual foi o principal objectivo de implementação desta solução?
Esta tecnologia foi implementada na nossa loja da Fly London, mas a maior parte foi nos nossos armazéns, para nos facilitar a logística nos mesmos.
O que nós tínhamos, antes da implementação do RFID, era o sistema tradicional baseado em códigos de barras, que requeria muito manuseamento, tanto no armazém como depois nos processos seguintes, portanto, na distribuição e na venda. Esta tecnologia vem ajudar-nos a dar mais rapidez e fiabilidade ao processo.

Como é que funciona exactamente?
O RFID usa “tags” que são lidas à distância. Quando recebemos a mercadoria do fabricante, esta vem em caixas. A caixa vem, geralmente, com 8 ou 12 pares de sapatos, portanto, o que se tinha de fazer, no nosso processo tradicional, era abrir caixa a caixa, para o processo avançar no sentido de podermos fazer a distribuição para as lojas. Com o RFID, as caixas entram, tal como chegam, directamente no nosso sistema. Temos um túnel por onde elas passam e são “lidas” sem haver necessidade de serem abertas, através de um chip que é colado na embalagem, não sendo necessário abri-la para saber o que está lá dentro.
Antes da implementação desta tecnologia, por exemplo, um contentor importado demorava um dia ou mais a entrar e depois ser distribuído pelas lojas. Agora, conseguimos ter isso feito em duas ou três horas. E, com menos pessoas a trabalhar, fazemos o mesmo trabalho e de forma muito mais fiável.

Na sua opinião, que desafios a crise financeira trouxe à área de TI?
Muitos. Sobretudo porque agora os orçamentos são cada vez mais apertados. E, portanto, há que ter inovações. Por exemplo, isto vem poupar-nos muito no manuseamento que era preciso. E não foi só poupança a nível da redução do número de pessoas a trabalhar, porque as pessoas continuam lá, apenas agora estão a ser “aproveitadas” para fazer outras coisas que são mais importantes do que estar a perder tempo em algo que já não é preciso fazer. A implementação desta tecnologia foi, portanto, um desafio.

Consegue enumerar mais algumas vantagens que vieram com a implementação desta tecnologia no Grupo? Uma delas é a poupança a nível de custos, como já referiu...
Há aqui outra vantagem inerente ao RFID, que pode ser vista na nossa loja da Fly London da Av. da Liberdade, a nossa loja-piloto. Ainda estamos em fase de testes, mas a tecnologia também já está praticamente a funcionar a 100% na loja. A implementação do RFID na loja traz uma maior interacção com o cliente. Temos uma secção da loja em que o cliente pode experimentar os sapatos e, dependendo dos sapatos que escolhe, é-lhe apresentada posteriormente uma imagem. Por exemplo, uma imagem no próprio chão, outra imagem no ecrã atrás, relacionada com o tipo de sapato que o cliente escolhe. E isso é feito precisamente através desta tecnologia RFID. Porque o próprio sapato vem com uma etiqueta que tem um chip, permitindo que o sistema reconheça automaticamente o que é que o cliente está a experimentar naquela altura. A imagem aparece no chão, é projectada no chão, e temos um ecrã atrás em que aparece a própria imagem do cliente, que é capturada por uma câmara.

Que tipo de vantagens traz a implementação do RFID directamente na loja?
A principal vantagem passa, como referi, por uma maior interacção com o cliente. Ele está, por exemplo, a comprar uma bota e então sei que ele provavelmente vai querer outras coisas daquele género, e apresento-lhe também acessórios que poderiam condizer com aquela bota.
Também estamos a desenvolver isto para as feiras internacionais. Nos stands das feiras, este conceito de apresentação é interessante e estamos a tentar transportá-lo para lá. Isto também é uma inovação que estamos a trabalhar. Passar esta tecnologia para as feiras como forma de apresentarmos o nosso produto.

Os clientes procuram cada vez mais soluções e informação “simples e rápida”. De que forma é possível dar resposta ao mercado?
Nós estamos a tentar dar essa resposta com, não só com esta tecnologia, mas também com uma outra que estamos a trabalhar com o INESC e que ainda está ainda numa fase inicial. Este novo projecto a que me refiro, pretende criar modelos de previsão através de um sistema de inteligência artificial. Portanto, dependendo do que nós temos para trás, do que se vendeu, vai prever o que é que se vai vender mais para a frente. Isto é possível ser feito através de sistemas de inteligência artificial, como referi, que estamos a tentar implementar e que o INESC está a desenvolver. É como tentar prever o tempo. Quer dizer, há certos factores que são previsíveis e há outros que são imprevisíveis. Digamos que nos vai ajudar a comprar melhor. E o segredo neste negócio é a forma como se compra. Há muita coisa que é comprada fora, é importada, e por isso é imprescindível prever-se o que é que vai render, pois não podemos comprar aos poucos dependendo de como é que o mercado evolui.
Esta tecnologia vai ser integrada no sistema de informação que nós temos. É o sistema que calcula e nos dá uma visão do que é previsto ser. Baseado no nosso historial, ele faz o cálculo.

Como acha que irá evoluir o sector das TI?
A tendência neste mercado é a venda pela Internet. A tendência é essa, apesar de se gerar um obstáculo logo à partida: o cliente quer experimentar o sapato. No entanto, mesmo assim, estamos cada vez mais vocacionados para a venda online. A Fly London já tem vários sites para venda na Internet. E cada vez mais. A tendência é mesmo essa.

A simplificação dos processos implica uma optimização dos recursos? De que forma é possível?
Há vários processos independentes neste grupo. Temos o processo de fabrico e depois temos as várias outras vertentes, sendo uma delas esta do retail. O que estamos a tentar fazer é criar uma estrutura para integrar isto tudo, a médio/logo prazo. Neste momento não temos tudo integrado numa mesma plataforma, pois o Grupo Kyaia no seu início passava apenas pelo fabrico e a Foreva, uma das empresas do Grupo, era independente, só foi integrada posteriormente. É por isso que temos processos separados, com tecnologias separadas até, para cada uma das empresas do Grupo e estamos a pensar, a médio prazo, integrá-las. Digamos, ter uma integração completa entre os vários os sistemas, que agora não existe. Estamos a planear brevemente ter um funcionamento em conjunto. Isso será uma forma, também, de optimizar os recursos humanos, hardware, software... tudo isso.

Quais as perspectivas de crescimento de negócio do Grupo Kyaia e qual o papel dos Sistemas de Informação nesse crescimento?
O Grupo Kyaia está em crescimento, lá fora. Portanto, estamos a tentar aumentar as exportações e expandir para outros mercados também. Esta aposta no mercado externo aplica-se também no que se refere às tecnologias por nós utilizadas, sobretudo o RFID. Estamos a tentar com que esta tecnologia seja exportável também.

Quais são os maiores desafios para este ano?
Este ano está a ser difícil para todo o mercado. Da nossa parte, para este ano queremos cada vez menos dependência.

Biografia
Guirish Vaguela é director de Sistemas de Informação/Retail do Grupo Kyaia.

 
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