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#23 | DEZEMBRO 2008
JOÃO KUCHEMBUCK BARBOSA
Gestor de frota dos CTT
"A electricidade será seguramente a forma de energia que maiores vantagens oferece num futuro medianamente próximo"

Como é a realizada a gestão da frota, de mais de quatro mil unidades, dos CTT? Qual o modelo de negócio e tipologia da vossa frota?
A Gestão da Frota CTT representa um desafio de enorme complexidade, não apenas pela sua dimensão, mas por via das diferentes tipologias associadas que exigem três modelos de gestão distintos e interdependentes: um modelo de gestão de frota própria, assente em 180 Viaturas Pesadas, 1300 Motos (Motociclos e Moto4) e 80 Viaturas especiais (Ligeiras para Rede Rápida, Tractores, Empilhadores, Atrelados, Caravanas). Para este modelo, efectuamos a aquisição directa e gerimos toda a vida útil das viaturas, até à sua venda, numa lógica de Total Cost of Ownership. Um segundo modelo reflecte-se na gestão através de modelo de negócio em Aluguer Operacional de Viaturas (AOV), para um parque superior a 2300 Viaturas Ligeiras. Desde 2005 que implementámos o modelo AOV no segmento de Ligeiros Comerciais, viaturas que se encontram afectas a vários Serviços, numa lógica de gestão de Poule. A Gestão de Frota tem aqui um papel crítico, através da sua área técnica e de suporte logístico, no que respeita ao papel da gestão contratual, na negociação de incidências extracontratuais e movimentação de meios. Por último, implementámos um novo modelo de subcontratação de transportes (outsourcing total, no que respeita ao transporte do correio por viaturas pesadas). Actualmente, esta actividade representa 40% do volume das ligações de Transportes que operam nos CTT. A apoiar estes três modelos está uma área central técnico-administrativa (Gestão de Combustíveis / Seguros / Sinistralidade / Legislação de Transportes e Rodoviária), reduzida mas muito eficiente e apoiada por um poderoso sistema de informação: uma plataforma de ligação entre clientes internos e fornecedores de frota, o que nos permite monitorizar em detalhe toda a actividade.

O equilíbrio entre racionalização de custos vs necessidade (ainda cara) da eficiência energética é difícil de obter. Que esforço tem desenvolvido e pode vir a desenvolver para contribuir para o reforço de políticas ambientais? Possuem veículos híbridos na vossa frota?
 Os CTT sempre tiveram um forte compromisso e respeito para com a sua Envolvente. Assumir a responsabilidade pelo impacto das suas actividades nos Clientes, Fornecedores, Empregados, Shareholders, Comunidades e outros Stakeholders, assim como no Ambiente, são constantes de uma Política de Responsabilidade Social e de Ética dos CTT. O foco em questões de natureza Ambiental encontra-se bem reflectido numa estratégia que deu os seus primeiros passos em 1999, com a aquisição de viaturas eléctricas, destinadas à realização de giros (percursos de entrega do correio). O recurso às energias alternativas não se esgotou com o recurso à tracção eléctrica, tendo-se seguido, em 2004, a opção de aquisição de Veículos a Gás Natural (VGN). No que respeita à Frota de Pesados, aderimos ao Euro4 e ao AdBlue e antevemos aquisição de Viaturas Euro5 no próximo ano. Efectuámos uma renovação de 70% da frota de duas rodas, nos últimos dois anos, perseguindo o objectivo de redução da idade média de toda a frota CTT. Os híbridos integram hoje a frota de Ligeiros de Passageiros, fruto de uma política de consciencialização Ambiental, por parte da actual gestão de topo da empresa.
No início deste ano, foi criado um Grupo de Trabalho, com o contributo de vários departamentos da Empresa, destinado a estudar e promover a substituição “massiva” de veículos com motorização térmica por equivalentes a combustível “verde”. A uma primeira fase que envolveu o levantamento exaustivo das novas tecnologias disponíveis no mercado, seguir-se-á um período de testes, destinado a avaliar o desempenho das alternativas potencialmente mais interessantes, com especial enfoque na frota de Ligeiros Comerciais.

Os CTT têm apostado bastante na adopção de soluções tecnológicas evoluídas para a vossa frota, nomeadamente ao nível dos sistemas de telemetria. Descreva-nos as vantagens destas ferramentas na operacionalização da frota?
A melhor gestão deverá estar assente num sistema de informação que permita ao decisor ter uma visão global do seu negócio. Actualmente, a gestão de frota CTT encontra-se num processo de expansão das suas capacidades, por integração e centralização de sistemas alocados a diversas unidades de negócio do grupo. No que concerne às operações de transporte, por viaturas pesadas, o Rádio Trunking é o sistema actualmente adoptado, estando os CTT em fase de testes para o RFID. No segmento CEP (Courier, Express and Parcels), a CTT Expresso associa um sistema de gestão de actividade com georeferenciação, indispensável a uma rede onde, em cada instante, a componente aleatória é significativa. Para este caso, a questão-chave que determina quais as opções tecnológicas a adoptar resume-se à análise factual e crítica do modelo de negócio, assente num conceito cada vez mais importante em qualquer processo de gestão logística: visibilidade. A capacidade de vislumbrar todos os fluxos físicos e informacionais, permitirá a tomada da decisão certa, no momento certo e que inevitavelmente conduzirá à eficiência. E aqui, a Telemetria tem um papel fundamental. Nesse contexto, e para a restante frota CTT, não existe ainda uma evidência que os atributos da georeferenciação se traduzam em vantagens competitivas. No entanto, estamos actualmente a analisar este cenário, numa visão de toda a cadeia de valor e não apenas na visão redutora da actividade directa da frota. Para este caso, não existem fórmulas ou medidas padrão que se apliquem de forma determinística.

Um dos aspectos sacrificados da crise financeira actual poderá ser a adopção de soluções vantajosas para o ambiente, tidas como mais dispendiosas, ou pensa que, pelo contrário, esta é a altura ideal para abraçar fortemente estas opções?
Sejamos pragmáticos. Os maiores obstáculos à generalização do uso de combustíveis alternativos encontram-se ao nível do campo logístico-operacional, seja por questões como a insuficiente rede de abastecimento (caso do Gás Natural) seja por dificuldades ao nível da autonomia e do tempo de recarga (caso dos veículos eléctricos). Por outro lado, também o custo de aquisição deste tipo de viaturas ainda não é suficientemente apelativo, verificando-se até que os valores são significativamente superiores aos dos veículos de combustíveis fósseis. A actual conjuntura exige racionalidade económica. Significa isto que todos os projectos terão que ponderar as opções disponíveis com muito rigor, face aos benefícios que, inegavelmente, o uso destas tecnologias proporciona: mais baixos custos exploração, brand equity e preocupação ambiental. No caso particular dos CTT estas últimas questões são consideradas activos intangíveis, que aumentam o valor da empresa pelo que, a opção pelas energias alternativas e ambientalmente responsáveis são uma aposta sólida da actual gestão. 

Poderá aceder à versão integral desta entrevista, que será publicada na próxima edição da revista Intra Gestor de Frotas, através deste link.

Biografia
João Kuchembuck Barbosa é, desde 2006, gestor da frota e membro de diversas comissões de avaliação de novos projectos para os CTT. As suas principais funções são no Âmbito Gestão Contratual / Fornecimentos em serviços de Conservação e Logística, Planeamento e Controlo Anual de Contas Transversais CTT e Implementação de um novo modelo para a Gestão de Frota CTT. Entre 2005 e 2006, também no departamento de compras e serviços gerais, foi responsável pela subcontratação, gestão do processo de facturação em regime de locação financeira de viaturas e responsável por análises de investimento de projectos para o Grupo CTT. De 2003 a 2005, fez parte do departamento de transportes postais, onde elaborou estudos de apoio à gestão (controller, estudos de outsourcing) e fez parte do Gabinete de Apoio a Projectos. Antes, entre 2001 e 2003, passou pela Wide Search/Talento Jovem, onde foi fundador e manager. Trabalho como director de recrutamento na Workingday, entre 2000 e 2001. Em 2000, no Instituto para a Construção Rodoviária – actual Estradas de Portugal), como Economista. Entre 1996 e 1998, trabalhou na AIESEC onde foi membro da comissão nacional, presidente da AIESEC Algarve, director de empreendedorismo e CSR e trainer internacional para na República Checa e Eslováquia. Licenciado em Economia pela Universidade do Algarve (1994/99), possui uma formação avançada em Empreendedorismo, ISEG (2002/03), European Sénior Logistician, ECBL (2005/06) e, actualmente, frequenta o MBA em Logística (IST/ISCTE/EGP).

 
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