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#307 | MAIO 2011
ANTÓNIO BOB SANTOS
Adjunto do Secretário de Estado da Energia e da Inovação
"O cloud computing na AP será cada vez mais uma realidade nos próximos anos, não só por cá mas também ao nível europeu"

Em que consiste o Modelo de Computação em Nuvem (Cloud Computing)?
O cloud computing prende-se com a articulação e integração de um conjunto de tecnologias e soluções já existentes, visando a disponibilização mais eficiente e mais flexível de serviços, tirando partido da desmaterialização e da virtualização das soluções e serviços.

Quais os principais objectivos da sua utilização na Administração Pública (AP)? Que benefícios a sua aplicação pode trazer ao sector público?
Em termos muito genéricos, o cloud computing na AP poderá contribuir para melhorar os serviços prestados aos cidadãos e às empresas, tornando mais eficiente a utilização dos recursos tecnológicos existentes, com consequente redução de custos, ganhos em termos de eficiência, diminuição dos consumos energéticos e aumento dos níveis de produtividade.

O Cloud Computing é um conceito ainda emergente, sobretudo no que se refere à AP. Que certezas e dúvidas existem relativamente a esta aplicação, em geral e, especificamente, em relação à sua utilização no sector público?
Creio que o cloud computing( na AP (ou o cloud government) será cada vez mais uma realidade nos próximos anos, não só por cá mas também ao nível europeu. A estratégia Europa2020, com a sua Agenda Digital, coloca um grande enfoque nessa questão. Em Portugal, damos também um destaque importante ao desenvolvimento da “cloud computing”, sendo uma das áreas previstas na “Agenda Digital 2015”, iniciativa aprovada recentemente no âmbito do Plano Tecnológico, e que prevê o desenvolvimento de serviços públicos aproveitando o potencial da “nuvem”. Mas para isso é importante a continuação do trabalho e do investimento feito nos últimos anos em Portugal na área do eGovernment.

Em que consiste a nuvem pública e o que a distingue da privada?
O objectivo de haver uma “nuvem pública” tem de ser o de melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados à sociedade, utilizando da melhor forma os recursos existentes na AP, reduzindo também os custos e obtendo ganhos de eficiência. Um bom exemplo é a utilização da “nuvem” para estimular áreas como investigação científica, beneficiando a sociedade no seu todo. A iniciativa GRID, já em desenvolvimento pela FCCN/UMIC, no âmbito do Plano Tecnológico, é um bom exemplo, tirando partido da infra-estrutura tecnológica existente nas instituições de investigação e do Ensino Superior, nomeadamente servidores Web, bases de dados, etc. Áreas como a investigação clínica ou a nanotecnologia podem ser estimuladas utilizando as tecnologias em rede e a computação distribuída. Mas os bons resultados conseguidos por Portugal nos últimos anos no eGovernment poderão ter potenciado com as oportunidades à volta da “nuvem”, gerando também novas possibilidades de negócio para as empresas tecnológicas. No sector privado, a “nuvem” estará mais relacionada com ganhos de eficiência e com a redução de custos.

Também existe uma nuvem híbrida, certo? Uma fusão entre a pública e a privada. Pode explicar que benefícios esta tipo de modelo pode trazer, tanto para o sector público, como o privado? Poderá ter algo a ver com os benefícios trazidos pelas parcerias público-privadas?
A colaboração entre o sector público e privado no domínio do cloud computing poderá ser uma realidade no futuro. Mas até lá há que analisar os modelos de negócio possíveis, que tornem sustentáveis esse tipo de parcerias, e resolver as questões críticas que ainda se colocam, como a interoperabilidade ou a segurança e protecção de dados.

É essencial que se distingam todos estes tipos de nuvem para que se consiga definir uma boa estratégia para serviços públicos em nuvem digital. Concorda?
Claro. Mas o que é fundamental é fazer uma análise rigorosa e quantificada de quais os benefícios que a “nuvem” poderá trazer para a AP, quais os serviços públicos que poderão ser potenciados, de que forma é que se pode rentabilizar a infra-estrutura tecnológica existente e quais os modelos de negócio viáveis que poderão ser adoptados.

Como é que através da criação de uma Cloud Governamental, se pode racionalizar a infra-estrurura da AP?
Teoricamente, poderemos ter ganhos ao nível da manutenção da infra-estrutura tecnológica (backups, segurança, etc.), racionalização dos recursos (partilha de servidores, bases de dados, aplicações, etc.), bem como menor gastos com licenças de software (muitas das aplicações em “cloud computing” são gratuitas, ou apenas se paga consoante o tipo de utilização). Pode-se também conseguir maiores níveis de produtividade, já que o trabalho em rede e colaborativo poderá estimular a inovação.

“Quando a infra-estrutura tecnológica reside em nuvens computacionais, é possível expandir ou reduzir as necessidades computacionais sem processos de compra ad hoc”. Esta é uma citação do Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, José Magalhães, numa intervenção no Cloud Computing Fórum 2010. Concorda?
Sim, concordo, a “nuvem” permite uma melhor utilização e racionalização dos recursos tecnológicos existentes. Sabemos que o parque informático na AP é enorme e que poderia ser melhor aproveitado, o que poderá ser possível com a continuação do processo de desmaterialização e virtualização em curso com o programa SIMPLEX. Um bom exemplo a seguir é o que se fez na Ciência e no Ensino Superior com a “Iniciativa Nacional GRID”: permitiu a partilha de recursos, disponibilizando elevadas capacidades computacionais à custa da distribuição de tarefas de processamento por vários computadores disponíveis nas instituições de I&D, de forma coordenada e eficiente.

Num inquérito realizado pela Computerworld, a solução de cloud pública foi a que teve menos aceitação, eleita por 15% dos inquiridos como a melhor, face aos modelos híbridos, preferidos por 37%. Portanto, há alguma resistência por parte da AP, no que se refere à implementação de sistemas de cloud computing. Na sua opinião, porque acha que assim é?
Talvez pelo facto de ainda persistirem algumas questões em aberto e por ainda não existirem muitos casos a nível internacional que possam servir de exemplo. Mais numa vez, Portugal poderá aqui estar na linha da frente do “government cloud”, tal como já está no eGovernment a nível europeu. Espera-se que a “Agenda Digital 2015” possa contribuir para o aparecimento de novos modelos de negócio que estimulem o desenvolvimento de oportunidades à volta da “nuvem”.

Nota: Poderá aceder à versão integral desta entrevista na próxima edição da revista Interface Administração Pública. Solicite-a através do e-mail revistas@algebrica.pt, indicando o assunto “PDF Revista AP nº 59”.

Biografia
António Bob Santos é Adjunto do Secretário de Estado da Energia e da Inovação e Coordenador Adjunto do Plano Tecnológico (Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento).

 
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