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#188 | ABRIL 2011
ÁLVARO SOBRINHO
Presidente da Comissão Executiva do Banco Espírito Santo Angola
"A intermediação financeira é considerada a ‘espinha dorsal’ da economia moderna"

Como caracteriza a evolução da economia angolana nos últimos tempos?
O período pós-guerra revelou ao mundo uma economia de mercado emergente e próspera, atraente ao investimento estrangeiro. O relançamento económico de Angola, nos últimos anos, conduziu a um crescimento económico sem precedentes, que permitiu a consolidação da estrutura de negócios, estabilidade financeira e evolução do mercado de consumo. Em 2007, Angola foi apontada pelo Fundo Monetário Internacional como a economia africana com o crescimento económico mais acelerado e a quarta a nível mundial. Apesar do presente contexto global menos positivo, continua a apresentar positivos índices económicos, tendo o FMI previsto o crescimento de 7,1, valor em 2011. A verdade é que o país tem ainda uma longa margem de progresso e perspectivas de evolução, que nos dão confiança de que Angola prosseguirá no seu desenvolvimento próspero e sustentável nos próximos anos.

Como se explica este crescimento dos últimos anos?
Angola apresenta várias vantagens competitivas enquanto país e economia. Por exemplo, a sua localização geográfica privilegiada sobre o Oceano Atlântico, os seus abundantes recursos naturais e humanos e as políticas de desenvolvimento económico orientadas para o apelo ao investimento privado e investimento estrangeiro. O país está a crescer a todos os níveis e a amadurecer enquanto sociedade livre, com estabilidade política e económica e isso reflecte-se num desenvolvimento ímpar no mundo e que irá continuar saudável e sustentável a longo prazo.

Qual o papel do sistema financeiro neste crescimento?
O desenvolvimento do mercado financeiro angolano tem registado sucessivas evoluções, no sentido da sua modernização e adaptação às normas internacionais e, por outro lado, de satisfazer os requisitos que caracterizam a transição para uma economia de mercado. Essa mudança foi fundamental para o desenvolvimento económico actual.

Até quando este crescimento é sustentável?
O crescimento acelerado que Angola apresentou nos últimos anos suscitou algumas preocupações ao nível do seu desenvolvimento sustentável, de forma a assegurar a satisfação das necessidades das gerações futuras, bem como uma visão a longo prazo para o país, pensada de forma transversal aos sectores da economia, sociedade, cultura e ambiente. Houve uma preocupação em concentrar o investimento em infra-estruturas base da sociedade e pensar o crescimento a longo prazo, através da especialização em sectores estratégicos para a economia angolana, como o sector primário, tirando partido de toda a sua riqueza natural, a indústria transformadora e a construção e obras públicas; do reforço do investimento estrangeiro e apoio ao tecido empresarial, criando mais dinamismo económico; e, sem dúvida, da formação e qualificação de recursos humanos em áreas de desenvolvimento estratégicas.

Quais os pontos fortes da economia angolana neste momento? E os pontos que ainda estão de alguma forma, mais fragilizados?
A economia angolana, estando cada vez mais globalizada e aberta ao investimento estrangeiro, sofreu naturalmente as consequências da actual crise económica, o que provocou um abrandamento do acelerado crescimento que vinha a desenvolver nos últimos anos. Contudo, este desafio foi fundamental para avaliar a solidez da economia face a cenários menos positivos e para o amadurecimento das suas estruturas financeiras. Um dos principais pontos fortes da economia angolana actual é o processo de solidificação do seu sistema financeiro que, de dia para dia, tem vindo a consolidar-se e a criar as bases necessárias para a evolução da economia e do mercado de consumo. A intermediação financeira é considerada a "espinha dorsal" da economia moderna, uma vez que o sistema financeiro tem um papel determinante na dinamização e canalização de recursos financeiros, incentivando o investimento e o aumento da produtividade. Temos assistido, de facto, a uma evolução positiva do sistema finan ceiro angolano, que se tem vindo a modernizar e adaptar às regras internacionais para responder às exigências da transição para uma economia de mercado, inserida num contexto global. Acreditamos que o rápido crescimento de Angola deve estar sustentado num sistema financeiro e bancário sólido e o BESA pretende participar activamente nesse processo, crescendo e ajudando o país a crescer.

Quais os sectores que mais têm acompanhado o crescimento económico?
A consolidação de áreas importantes como a construção civil, saúde e educação, e também a proliferação de serviços terciários estão a permitir novas oportunidades de investimento em Angola. Esta é uma tendência que irá reproduzir-se nos próximos anos, criando novas e vantajosas perspectivas para os investidores. O crescimento económico de Angola conduziu actualmente à multiplicidade dos sectores económicos, assistindo-se à modernização da agricultura, à consolidação de importantes áreas como a construção, saúde e educação, e ainda a proliferação de serviços terciários, que terão um importante papel no apoio ao desenvolvimento do tecido socioeconómico do país.

Quais os sectores estratégicos que serão fundamentais no futuro?
Os sectores estratégicos serão obviamente os sectores-base de uma sociedade moderna e que sustentam o seu crescimento e bem-estar dos cidadãos. Existem sectores em que Angola tem claramente vantagem: petróleo, diamantes e outros recursos minerais, agro-pecuária, mas existem outros sectores com óptimas perspectivas de desenvolvimento, como construção, transportes e vias públicas; recursos hídricos, recursos florestais e pescas. Sectores que devem continuar a ser potenciados, através do investimento na sua modernização, sofisticação tecnológica e qualificação de competências humanas nestas áreas. É importante também apostar nos sectores de bens de consumo, que permitam simultaneamente colmatar as necessidades da sociedade, criar emprego e reduzir a dependência de importação deste género de bens.

De que forma este crescimento poderá influenciar as relações exteriores com outros países africanos? E com Portugal?
O rápido aceleramento da economia angolana tornou-a numa das mais apetecíveis ao investimento estrangeiro, tanto ao nível dos seus países vizinhos, como dos países com os quais Angola sustenta relações bilaterais que atravessam a história, nomeadamente Portugal e Brasil, países aos quais a proximidade linguística, histórica e cultural significam importantes vantagens competitivas. O investimento estrangeiro directo em Angola tem aumentado consideravelmente, de acordo com os dados fornecidos pelas autoridades angolanas. Os olhos do mundo estão em Angola e, de facto, as condições alentam ao investimento: estabilidade política, reconstrução urbana, escalada do mercado de consumo, diversificação económica, embora a crise financeira que vivemos nos últimos tempos tenha criado alguns constrangimentos ao mercado, verificamos já grandes mudanças no mercado.

Quais os principais desafios para 2011?
Angola, sendo uma economia cada vez mais globalizada e aberta ao investimento estrangeiro, sentiu naturalmente as consequências da crise económica mundial. Contudo, o país manteve o crescimento em 2010, no trilho da recuperação económica saudável. Um exemplo é o início do processo de regularização da dívida pública. O sistema financeiro, de onde se destaca a banca, assume-se como principal motor do desenvolvimento dos países. Neste período de retoma financeira, compete à banca a importante missão de estimular a economia e reconquistar a confiança dos investidores e consumidores. E este é um desafio que deverá ser prioritário nesta fase crucial da recuperação económica. Outro grande desafio que se coloca à economia angolana é a necessidade de estarem garantidas as bases de protecção social, apoio à educação e cultura, e preservação do ambiente, áreas que devem acompanhar o crescimento económico, criando estabilidade e desenvolvimento em todos os sectores da sociedade. Apen

as desta forma o país poderá crescer de forma sustentável e com os olhos postos no futuro, sendo que este é um esforço que deverá partir não apenas do sector público, como do sector privado, cujo contributo ao nível de recursos financeiros e logísticos é fundamental para a efectiva prossecução de programas de apoio social, cultural e ambiental.

Biografia
Álvaro Sobrinho nasceu em Luanda, é licenciado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Está ligado ao grupo que detém o Banco Espírito Santo Angola (BESA) há 19 anos. Com o curso de Matemática e a pós-graduação na área de Análise e Estatística, entrou no mercado de trabalho na companhia de seguros Mundial Confiança. A entrada no grupo onde agora é o Presidente da Comissão Executiva do BESA fez-se através do Banco Espírito Santo Financial Group, há quase 20 anos. O cargo que ocupa há já sete anos permite-lhe ter uma visão privilegiada sobre a instituição que dirige e o sector onde se insere.

 
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