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# 54 | 10 de Dezembro 2007
 
 
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Teófilo Leite
"A administração privada ainda é muito incipiente"

 

Afirma que o aumento da hospitalização privada se deve sobretudo ao investimento das seguradoras. Que factores estão subjacentes ao aumento do recurso a serviços hospitalares privados?
Por um lado uma clara insuficiência do Serviço Nacional de Saúde que enfrenta várias restrições orçamentais e, por consequência, a necessidade que os cidadãos têm de ver satisfeitas as suas necessidades de saúde em locais onde haja qualidade. O sector privado tem ido assim  ao encontro dessas necessidades, dando a resposta a esta realidade.

Considera que o crescimento do sector privado far-se-á, essencialmente, através de Parcerias Público-Privadas (PPP)?
Não. O conceito da Associação de Hospitalização Privada é de que, cada vez mais num estado democrático, se tem de gerir os serviços de saúde de modo a que todos tenham acesso aos mesmos, em tempo oportuno e com qualidade. Nesse sentido, o Estado não tem de ser necessariamente prestador de cuidados de saúde. Tem de fazer a regulação, mas não tem de prestar os cuidados. Face à evolução que se vê a nível das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), as entidades privadas também podem ser as promotoras do recurso a estas tecnologias e aproveitá-las para aumentar a qualidade da prestação de serviços.

A Associação de Hospitalização Privada também defende a ligação entre a Saúde  e o turismo sénior. De que forma?
A população está envelhecida, como se sabe, e o turismo sénior tem algum impacto. Há pessoas com algum poder de compra que querem deslocar-se para locais mais calmos, mas para isso necessitam que haja, perto de si, unidades de saúde que tenham capacidade para dar resposta às suas necessidades. O sector privado pode ser uma mais-valia nesse sentido. O objectivo é ter unidades de referência; daí achar que esta área tem uma elevada potencialidade.

Outra das vias em que estão a pensar apostar é na formação pós-graduada em unidades de saúde privadas...
Há unidades que têm determinadas valências, onde se pode dar formação pós-graduada a profissionais de saúde. Alarga-se assim o âmbito das competências destas unidades.

A Associação faz parte da União Europeia de Hospitalização Privada. Qual é a situação de Portugal, em termos de evolução do  sector privado, em comparação com os restantes países europeus?
Estamos muito atrasados. Só agora é que o sector está a evoluir. A França, por exemplo,  é considerada, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como tendo o melhor sistema de saúde do mundo por permitir que haja um maior poder de escolha por parte dos cidadãos quando escolhem a unidade de saúde, seja pública ou privada. Este princípio é basilar na melhoria da qualidade e na rapidez de resposta ao cidadão. Em Portugal está-se neste momento a falar sobre o assunto e a tentar mudar a situação e a administração privada ainda é muito incipiente.

Biografia
Presidente da Associação de Hospitalização Privada e Membro da União Europeia de Hospitalização Privada.

 

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