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# 57 | 22 de Abril 2008
 
 
 

Rui Gomes
“O nível de inovação atingido com esta solução é de tal forma elevado que nos distancia em dois anos do grau de maturidade das soluções do mercado”.

 

Na Techdays que terminou há poucos minutos atrás, apresentou as especificidades e mais valias da Medtrix- uma solução que garantiu o lugar de finalista ao Hospital de São Sebastião, nos prémios mundiais: “MS-HUG Healthcare Innovation Awards”. Quais são as principais características deste sistema?
O Medtrix EPR é uma solução de software de apoio à prestação de cuidados de saúde assente num processo clínico electrónico e no qual os profissionais de saúde em exercício nas áreas de Internamento, Urgência, Consultas Externas e Blocos Operatórios, Hospital de Dia ou Exames especiais, podem aceder seja para registos como para apoio à decisão durante a actividade assistencial.

O que tem este sistema de inovador, que justifique esta distinção internacional?
No início de 2008, depois de imensas provas de conceito, verificamos que o nível de inovação atingido era de tal forma elevado que nos distanciava em dois anos do grau de maturidade das soluções do mercado. Embora tenha sido distinguido na rubrica de Clinical Records – Inpatient o MedtrixEPR é muito mais do que isso, contudo a componente de inovação é explicita na solução logo desde a sua concepção destacando-se as seguintes “inteligências”:
1– No projecto e desenvolvimento foi separada a componente de design e interacção com a componente de negócio da saúde;
2- Toda a interface é muito rica e completamente vectorizada, inclusive os objectos de imagem, permitindo qualquer resolução sem degradação de qualidade;
3- A solução é “híbrida” uma vez que assegura um ambiente Web ou cliente servidor desmistificando os conceitos;
4- A interacção “Profissional_de_Saúde/Maquina” pode ser realizada utilizando funcionalidades de "voice command" suportada por um conceito audio driven e por relatórios de voz;
5- Está preparada para “habitar” em qualquer ambiente de plataformas tecnológicas tais como PDA, Tablet PC, PC, POS e inclusive Thin Clients.

Quando foi implementado este sistema e qual tem sido o feedback dos funcionários do hospital relativamente a esta plataforma?
Uma solução exclusivamente para o médico tem vindo a ser implementada e utilizada desde 2001, pelo que nunca obrigou a grandes reestruturações em termos dos processos de trabalho, nestes profissionais. A transição foi uma conquista gradual e facilitada porque na generalidade os nossos profissionais estão habituados a utilizar meios informáticos e para os clínicos que não tinham a aplicação disponível, rapidamente verificaram que esta lhes traria benefícios. A arquitectura onde assenta a solução já atravessou três gerações de diferentes tecnologias e atingiu o seu nível máximo de maturidade durante o ano de 2007, no qual tivemos o melhor dos reconhecimentos seja pelos nossos profissionais de saúde como a nível internacional.

Quais são os principais benefícios que advêm desta solução, tanto para os colaboradores da instituição como para os utentes do hospital?
Os profissionais de saúde sejam médicos, enfermeiros ou técnicos podem ter a possibilidade, instantaneamente, de aceder à histórica clínica dos doentes como também realizar pedidos de MCDT (meios complementares de diagnóstico e terapêutica) e visualizar resultados. A grande vantagem da utilização da solução é a possibilidade de disponibilizar, seja para os profissionais de saúde como para a gestão, informação útil e atempada de forma a acelerar o processo de decisão, seja da urgência como no internamento, permitindo que os doentes sejam tratados o mais rapidamente e melhor.

Esta é uma solução passível de ser adaptada a outros hospitais? O que é necessário fazer para tal seja viável?
A solução está concebida numa arquitectura modular e abstraída da componente de base de dados. Penso que a sua adaptação, a um universo hospitalar semelhante ao nosso, seria uma transição pacifica caso existisse uma intenção e um projecto concertado para o efeito.

Que projectos têm, entre mãos, neste momento?
Para além de uma série de projectos, envolvendo nomeadamente a criação de valor para o processo clínico, o que posso destacar de maior relevo são os esforços que temos vindo a fazer nos últimos anos na área da gestão da segurança da informação, nomeadamente na implementação de boas práticas e controlos ISO/IEC 27002 no qual em Portugal, e que tenha conhecimento na área da saúde, não existe nenhuma entidade certificada. A adopção de planos para uma política, procedimentos, conceitos, culturas, gestão de risco, gestão de incidências, continuidade de negócio, conformidades legais, etc.. não estão instituídas e muito menos são conhecidas, pelo que acredito que nos próximos anos seja esta a linha de convergência.

Biografia
É licenciado em Engª. Electrotécnica (ciência da computação) e detém uma Pós-Graduação em Gestão da Informação.
Iniciou a sua actividade profissional como especialista de sistemas num laboratório de análises clínicas. Foi técnico, especialista em gestão da informação e docente de informática numa Escola de Enfermagem em Coimbra e em 1998 participa no arranque do Hospital São Sebastião em Santa Maria da Feira e ajuda a criar o Serviço de Informática como director de serviço. Tem obtido algumas certificações em diversas áreas no âmbito SI/TI e com frequência participa na gestão de projectos nacionais e europeus de Investigação & Desenvolvimento
As suas áreas de especilização são: desenvolvimento de projectos de Inovação Tecnológica no ambito da Saúde e Conhecimento.
Actualmente, ocupa o cargo de Director de Sistemas de Informação do Hospital São Sebastião, Santa Maria da Feira e paralelamente desempenha a função de Investigador na Faculdade de Medicina do Porto, CINTESIS.

 

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