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#89 | JANEIRO 2011
INÊS FARIA
Unidade de Reabilitação Respiratória do Hospital Pulido Valente
"O TELEMOLD permite a telemonitorização simultânea de dois tipos de terapêutica essenciais no aumento da esperança de vida de doentes com insuficiência respiratória"

O TELEMOLD (Telemonitorização da Oxigenoterapia de Longa Duração) é um projecto inovador desenvolvido pelo Departamento de Pneumologia do Hospital Pulido Valente e pela Fundação Vodafone Portugal. Antes de mais, em que consiste a oxigenoterapia?
A oxigenoterapia é um tipo de tratamento que consiste na administração de oxigénio, ou seja, no aumento da percentagem de oxigénio no ar inspirado, e pode ocorrer de forma temporária em situações agudas ou em situações crónicas (oxigenoterapia de longa duração).
A oxigenoterapia de longa duração (OLD), é a administração de oxigénio, habitualmente para toda a vida e por períodos diários prolongados, a doentes com insuficiência respiratória crónica, ou seja, a doentes nos quais as trocas gasosas não se realizam de forma adequada.
A utilização da OLD tem benefícios comprovados para o doente e que estão relacionados com a melhoria da qualidade de vida e da esperança de vida deste grupo de doentes nomeadamente de doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), doença muito prevalente entre nós.
É absolutamente necessário perceber que a prescrição da OLD tem de ser feita de forma muito responsável por parte dos médicos já que, embora tenha os benefícios descritos, não deixa de ter riscos se não for utilizada adequadamente e além disso é um tipo de tratamento muito dispendioso. Actualmente, estima-se que os custos com a oxigenoterapia domiciliária ascendam a 60 milhões de euros por ano.

Quais foram os objectivos que levaram à criação desta tecnologia?
O projecto TELEMOLD é um projecto de investigação que tem como principais objectivos o desenvolvimento e implementação de um sistema que permite a monitorização remota e simultânea dos níveis de oxigénio no sangue e de actividade física dos doentes sob OLD domiciliária. Possibilita assim, uma maior adequação da oxigenoterapia em função das necessidades dos doentes nos diferentes níveis de actividade física e, além disso, permite também o incentivo aos doentes, por parte das equipas médicas, para a realização de níveis mais elevados de actividade física.
Nos doentes com insuficiência respiratória, o débito de oxigénio que necessitam tem de ser periodicamente revisto para se verificar se é o mais adequado em repouso, durante o esforço e durante o sono. Actualmente estas reavaliações implicam deslocações ao hospital para a realização dos diversos exames.
Se nestes doentes que necessitam de uma monitorização contínua, esta puder ser realizada no domicílio, sem que se comprometa o normal desenrolar das actividades diárias e enquanto estes fazem a sua vida habitual, terá vantagens em relação à prescrição mais adequada do oxigénio às reais necessidades e a uma maior adequação dos programas de reabilitação respiratória tendo em conta a actividade física dos doentes.
Por outro lado, a possibilidade de dispor de um sistema de monitorização de variáveis fisiológicas, com o doente inserido no seu ambiente familiar e tendo a oportunidade de se sentir estimulado a manter-se activo, é uma ajuda preciosa para o tratamento e acompanhamento destes doentes.

Quais as suas principais funcionalidades?
No projecto TELEMOLD, a telemonitorização dos doentes é feita através do recurso a tecnologia de comunicação wireless, sendo os dados dos doentes enviados para um servidor central no Hospital Pulido Valente, com acesso restrito na Unidade de Reabilitação Respiratória. Esta transmissão de dados clínicos permite ao médico fazer a monitorização dos seus doentes, possibilitando ajustes terapêuticos bem como resposta a situações anómalas que ocorram com os doentes e detectadas por um sistema de alerta.
Os equipamentos necessários para este tipo de monitorização (monitorização simultânea dos níveis de oxigenação e de actividade física) englobam um sensor de oximetria, um acelerómetro triaxial e um sistema portátil de recepção e emissão de dados (telemóvel que acompanha o doente). Os dados recolhidos pelo oxímetro e pelo acelerómetro são enviados, através da tecnologia wireless, para o telemóvel que os recolhe e encaminha para a base de dados central. A construção dos equipamentos teve em conta que esta monitorização contínua só fazia sentido se não comprometesse o normal desenrolar do dia-a-dia do doente permitindo-lhe realizar as tarefas diárias e ter uma autonomia elevada.
Além disso, o equipamento que é utilizado pelo doente é muito simples porque se pretende que seja facilmente utilizado por todos os doentes incluindo doentes idosos, com deficiências físicas e até analfabetos.

Em que é que este sistema é inovador, exactamente?
O projecto TELEMOLD é um projecto com carácter inovador porque permite a telemonitorização simultânea de dois tipos de terapêutica (exercício físico e OLD) que são essenciais no aumento da esperança de vida de doentes com insuficiência respiratória, nomeadamente nos DPOC.
Actualmente, em Portugal, já existem sistemas que permitem a monitorização dos níveis de oxigenação do sangue por períodos prolongados, contudo este projecto introduz a inovação de permitir a monitorização em simultâneo da actividade física do doente. Esta vertente é fundamental uma vez que se pretende que os insuficientes respiratórios mantenham um nível de actividade física regular e adequado sem correrem riscos.
Nos programas de reabilitação efectuados em ambiente hospitalar aos Insuficientes Respiratórios o que se pretende é aumentar a sua capacidade de exercício físico. Uma vez que o referido exercício terá de ser efectuado sob oxigenoterapia, são também calculadas as necessidades de oxigénio de acordo com a intensidade do esforço físico dos programas de treino. Se é verdade que isto é seguro, porque está a ser monitorizado por profissionais de saúde, também é verdade que se torna difícil de ser replicado no domicílio, havendo tendência por parte dos doentes para uma redução da sua actividade física, quando em ambiente domiciliar. Esta reacção decorre de alguma insegurança sentida pelo doente, face à ausência de monitorização do esforço por uma equipa de saúde.

Quais as principais vantagens que atribui à implementação desta tecnologia nos hospitais? (para os médicos, para os doentes e para o sistema de saúde nacional)
Este sistema de telemonitorização tem benefícios quer para os doentes e suas famílias, quer também para os médicos e para a sociedade.
Para os doentes, além da vantagem da monitorização contínua e subsequente ajuste da prescrição de OLD e melhoria da qualidade de vida, existe a comodidade decorrente de se evitarem deslocações frequentes ao hospital para as avaliações regulares, já que estas passam a ser efectuadas remotamente. Neste sentido, beneficiam também as famílias dos doentes, dado que, frequentemente, devido à sua idade ou ao estado de saúde, estes têm que ser acompanhados por alguém próximo.
Para os médicos, este sistema proporciona dados em maior quantidade e mais fiáveis, que lhes permitirão analisar com maior segurança o estado do doente e correspondentes necessidades de oxigénio, levando a um ajuste mais correcto das prescrições para cada indivíduo. Por outro lado, é possível a cada médico acompanhar um maior número de doentes, incluindo os que vivem mais longe e que, assim, têm a possibilidade de ser monitorizados num centro de referência. Além disso, vai permitir que, através de um sistema de alerta, o médico possa ser avisado sobre situações anómalas que possam estar a ocorrer, tomando de imediato as respectivas medidas correctivas. Como vantagem adicional, ao permitir a avaliação e acompanhamento simultâneo de vários doentes, o sistema TELEMOLD vai facilitar a partilha de informação e a interacção entre os especialistas de Pneumologia e de Medicina Familiar que fazem o seguimento destes doentes.
Para o sistema de saúde, o recurso a uma monitorização clínica mais adequada de doentes através do TELEMOLD, conduzirá a melhores práticas e permitirá, entre outros benefícios, aliviar a pressão nas urgências hospitalares e adequar os meios financeiros às necessidades reais dos tratamentos.

Este projecto foi criado através de uma Parceria Público-Privada (PPP). Que importância atribui às PPP no sector da saúde português?
Este projecto resulta de uma parceria entre o Centro Hospitalar Lisboa Norte, nomeadamente com o Serviço de Pneumologia no Hospital Pulido Valente e a Fundação Vodafone Portugal.
A Fundação Vodafone Portugal participa no projecto suportando integralmente os custos relacionados com o desenvolvimento de software necessário e também com os equipamentos de oximetria e acelerómetros, telemóveis, servidores e formação a médicos e enfermeiros das instituições envolvidas.
Para o desenvolvimento da nossa medicina é necessário que se criem condições para os projectos científicos, frequentemente onerosos, poderem avançar e serem concretizados. Isto faz parte do crescimento do país e permite que nos tornemos reconhecidos a nível internacional.
Garantindo que, desde a fase do surgir da ideia do projecto até à sua conclusão, o único objectivo seja o de proporcionar aos doentes um serviço útil e que traga mais valias em relação ao que existe actualmente, considero ser favorável este tipo de parcerias. Neste projecto, poder ainda haver benefícios para a sociedade é sem dúvida muito valioso principalmente no panorama sócio-económico que atravessamos.
Este projecto constitui a minha primeira experiência com este tipo de parcerias e as premissas anteriormente referidas têm sido as nossas linhas mestras.

Este tipo de sistema (ou semelhante) poderia ser aplicado a outras áreas para além da oxigenoterapia?
Sim, sem dúvida.
Dentro da área da pneumologia há muitas outras possibilidades de utilização, a título de exemplo refiro a ventilação domiciliária quer nos insuficientes respiratórios que temos estado a falar mas também nos doentes com síndrome de apneia do sono. Estes últimos são doentes que necessitam de um ventilador para não terem paragens de respiração durante o sono e consequentemente diminuição do nível de oxigénio do sangue durante a noite. Se utilizarmos este sistema conseguimos fazer monitorização destes doentes nas suas casas, o que será também muito vantajoso.

Biografia
Inês Faria é licenciada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Em Janeiro de 2002, ingressou no Internato Complementar de Pneumologia no Hospital de Pulido Valente e em Fevereiro de 2007 adquiriu o Grau de Assistente Hospitalar de Pneumologia e Especialista em Pneumologia pela Ordem dos Médicos.
Foi responsável pelo Programa de Assistência Domiciliária a doentes com Insuficiência Respiratória do Hospital Pulido Valente e, actualmente, trabalha na Unidade de Reabilitação Respiratória e no Hospital de Dia de Insuficientes Respiratórios do Hospital Pulido Valente do Centro Hospitalar Lisboa Norte. Também faz parte da equipa de Pneumologia do Centro Clínico do SAMS – Serviços de Assistência Médico – Social do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas – onde é responsável pelo projecto de implementação de programas de reabilitação respiratória, ainda em estudo.
Realiza, ainda, actividade clínica nos Serviços de Urgência dos Hospitais Pulido Valente e Santa Maria.

 
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