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#29 | NOVEMBRO 2009
ISABEL JONET
Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome
"As ISS representam 4% do PIB e 300.000 empregos"

Qual é a importância do Banco Alimentar Contra a Fome e a sua intervenção na área social?
O funcionamento do Banco Alimentar Contra a Fome assenta na dádiva, na partilha, no voluntariado e no mecenato. O principal objectivo é a luta contra o desperdício. Os Bancos Alimentares são associações ao serviço de outras instituições que lutam contra a fome. Não distribuem directamente às pessoas carenciadas: os alimentos passam obrigatoriamente pelo canal das instituições locais, grupos ou comunidades, muito próximas das pessoas em situação de pobreza.
É celebrado um acordo de abastecimento gratuito entre o Banco Alimentar e cada uma das associações beneficiárias, que sabem que a instituição não dispõe de todos os produtos de que necessitam.
A ajuda alimentar é entregue pelas instituições às pessoas carenciadas sob três formas: através de refeições servidas em lares, creches, ATL, refeitórios sociais ou apoio domiciliário; também por via de refeições distribuídas na rua e em pequenos locais de acolhimento; ou então com a entrega de cabazes alimentares a famílias necessitadas.

Com todo este trabalho, quais as repercussões do projecto para o país?
A constituição do Banco Alimentar Contra a Fome deu-se em Lisboa, no mês de Junho de 1992. A sua fundação teve como base os princípios que já referi, de dádiva e partilha, na gratuidade das contribuições como forma de luta contra o desperdício de produtos alimentares e na sua repartição pelas pessoas mais necessitadas, através de instituições de solidariedade social e humanitárias locais. Foram também estes os princípios que estiveram na génese de todos os Bancos que se seguiram.
Em 23 de Fevereiro de 1999 foi constituída a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, com o objectivo de zelar pela missão e valores, harmonizar e coordenar os procedimentos e as práticas dos vários Bancos em actividade. Serviu igualmente para auxiliar à constituição de novos Bancos noutros pontos do país, por forma a criar uma rede de combate ao desperdício e de ajuda aos mais necessitados tão estruturada quanto possível.
Ao longo de 2008, mais de 1.600 instituições foram apoiadas em 15 regiões do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Évora Beja, Aveiro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga e Santarém), que concederam ajuda alimentar a mais de 250 mil pessoas comprovadamente carenciadas. No ano passado, os quinze Bancos Alimentares Contra a Fome em actividade distribuíram um total de 17.500 toneladas de alimentos (equivalentes a um valor global estimado superior a 26,2 milhões de euros), ou seja, um movimento médio de 69,6 toneladas por dia útil.

Como define o papel da política social nos dias de hoje?
A política social adquiriu um papel preponderante, em virtude do envelhecimento da população e do aumento da taxa de desemprego De facto, é crescente a importância das organizações de solidariedade social num período de crise que assola o país, bem como a sua capacidade de se integrarem junto dos grupos mais vulneráveis
Actualmente, estas instituições têm a tripla função de promover a coesão social, através do combate às diferentes formas de exclusão social, estimulando a criação de emprego e melhorando as condições de empregabilidade. Há igualmente uma preocupação em promover a coesão económica, por via do combate às diferentes formas de marginalidade económica e da estimulação à criação de riqueza. Por fim, devem incentivar uma cultura de participação cívica, combatendo as consequências negativas do recuo dos programas sociais universais característicos do Estado Providência

Qual o Estado da Arte do Serviço Social em Portugal?
Existem muitas instituições geridas com coração, que fazem um trabalho notável, com grande proximidade, mas que precisam de ajuda para se organizarem de um ponto de vista de gestão. As ISS (Instituições de Solidariedade Social) representam 4% do PIB e 300.000 empregos. No entanto, o sector precisa urgentemente de se modernizar e qualificar, para, com afecto e proximidade, responder à necessidades das pessoas mais pobres e carenciadas.

Biografia
Maria Isabel Jonet tem 49 anos e é voluntária no Banco Alimentar Contra a Fome desde 1993. Actualmente, é presidente da federação nacional desta instituição, bem como da secção de Lisboa da mesma. A nível internacional, integra o Conselho de Administração da Federação Europeia dos Bancos Alimentares. É fundadora e Presidente da ENTRAJUDA, instituição de apoio a instituições de solidariedade social numa óptica de gestão e organização. Trabalhou no Comité Económico e Social das Comunidades Europeias, em Bruxelas, entre 1987 e Julho de 1993. Foi adjunta da Direcção Administrativo-Financeira da Sociedade Portuguesa de Seguros entre Março de 1983 e Dezembro de 1986 e da Direcção Financeira da Assurances Général de France em Bruxelas em 1987. A nível académico, em 1982 licenciou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.

 
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