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# 08 | 27 de Março 2008
 
 
 

António Moreira Teixeira
"A formação virtual permite às instituições pouparem custos em termos de instalações e infra-estruturas, possibilitando atingir conjuntos populacionais mais vastos e dispersos."

 

A Universidade Aberta é a primeira instituição em Portugal a leccionar todas as licenciaturas e mestrados em regime e-learning, através de um modelo pedagógico virtual inédito no país e desenvolvido pela própria instituição. Quais as particularidades que tornam este modelo inovador?
O modelo é inovador porque pela primeira vez em Portugal é desenvolvido um modelo de ensino totalmente virtual, favorecendo a aprendizagem em comunidade. O modelo tem quatro grandes linhas de força que marcam a sua originalidade. Desde logo, no seguimento da construção do Espaço Europeu de Ensino Superior (Processo de Bolonha), a aprendizagem é centrada no estudante.
Por outro lado, dá-se uma ênfase particular à flexibilidade. Assim, o aluno pode realizar a sua aprendizagem independentemente do lugar ou do momento em que se encontra. Com efeito, ele não tem de aceder a um determinado espaço (físico ou virtual), numa determinada altura. Não existem constrangimentos de horário, nem de acesso. Esta característica torna o modelo particularmente adequado à população adulta, integrada num universo profissional e social.
Uma outra particularidade reside na importância atribuída à interacção. De facto, o estudante não é entendido como um mero receptáculo de conteúdos ou conhecimentos. Pelo contrário, é protagonista de uma rede de aprendizagem, gerida pelo professor ou tutor, e da qual fazem parte todos os restantes elementos da sua turma virtual. Dá-se assim um grande relevo à construção partilhada do conhecimento, bem como à aprendizagem colaborativa.
Por fim, o modelo pedagógico virtual da Universidade Aberta (UAb) destaca-se pelo seu contributo decisivo para a inclusão digital da comunidade académica de expressão portuguesa.

Na sua opinião, porque há cada vez mais instituições públicas e privadas a apostar em cursos de formação virtual?
A formação virtual permite às instituições, públicas e privadas, chegar a um número mais elevado de potenciais estudantes, ou formandos, que podem frequentar essas acções em igualdade de circunstâncias, de um modo mais adequado às suas disponibilidades de vida. Neste sentido, permite às instituições pouparem custos em termos de instalações e infra-estruturas, possibilitando atingir conjuntos populacionais mais vastos e dispersos. Por outro lado, as gerações mais novas (por via da sua habilitação tecnológica) obrigam as organizações a estarem cada vez mais presentes no mundo digital.

Que entraves são considerados pelas pessoas que ainda colocam algumas reticências neste tipo de estratégias educativas?
Há ainda um conjunto de pessoas, particularmente na população mais adulta, que manifesta algumas dificuldades ao nível da inclusão digital, embora esse conjunto seja cada vez mais diminuto. No que se refere aos estudantes africanos, o aspecto do acesso dos alunos à Internet constitui ainda um problema.

Uma das actividades promovidas pela Comissão Europeia no sentido de implementar o e-learning em grande escala, é a introdução de campus virtuais grátis, equipados com ligações de banda larga, em universidades e escolas. Seria viável a adopção de uma estrutura semelhante na UAb? Que implicações teria para a estrutura da instituição?
A UAb já possui um campus virtual desta natureza, realizado no âmbito do programa e-U. Neste momento, a UAb está a desenvolver um portal institucional inovador que agrega um conjunto variado de serviços, permitindo aos seus estudantes e visitantes o acesso virtual a tudo o que necessitam para realizarem a sua vida académica.

Sendo a UAb actualmente considerada um dos mega-providers de e-learning europeus, quais diria serem os requisitos principais para uma instituição ter cursos superiores de sucesso em regime e-learning?
Possuir um modelo pedagógico adequado (certificado internacionalmente); ter um bom corpo docente, especialmente preparado e treinado para este regime de ensino específico; e deter uma infra-estrutura tecnológica apropriada. Todavia, o segredo principal reside numa boa oferta de cursos, de reconhecida qualidade científica e que correspondam às necessidades da sociedade.

Como avalia o estado actual do e-learning nas universidades portuguesas?
Para além da experiência em curso na Universidade Aberta, a qual, pela sua dimensão, constitui um caso absolutamente singular, a maioria das restantes universidades portuguesas têm vindo a iniciar nos últimos anos actividades no domínio do e-learning. Entre estas, particularmente nas que se iniciaram há mais tempo, já se começaram inclusivamente a registar resultados interessantes, do ponto de vista da satisfação dos estudantes. Assim, espera-se que o e-learning universitário venha a conhecer, em Portugal, um fortíssimo desenvolvimento nos próximos anos. Naturalmente, cada instituição acabará por desenvolver modos próprios de integração do e-learning nas suas actividades, sejam estes de natureza absolutamente virtual ou mista, com carácter complementar ou supletivo em relação à realidade presencial.

Que mudanças considera necessárias na relação professor-estudante face a esta nova modalidade de ensino-aprendizagem?
Na decorrência do espírito do Processo de Bolonha, esta nova modalidade de ensino-aprendizagem vem colocar a tónica principal na centralidade do estudante, como aliás se referiu anteriormente. Assim, o professor não pode mais entender-se como um mero transmissor de conhecimentos, mas antes como um facilitador do processo de aprendizagem levado a cabo pelo estudante. Por sua vez, o processo de aprendizagem constrói-se agora em colaboração, no seio de uma comunidade virtual. Esta nova realidade vem obrigar os professores a uma maior disponibilidade face às necessidades dos alunos, bem como a um esforço mais significativo, dado o aumento da intensidade da relação professor-estudante. Por sua vez, os alunos são investidos de um mais elevado nível de responsabilidade e de controlo do seu próprio processo de aprendizagem. Acima de tudo, a qualidade da relação professor-estudante parece aumentar claramente, de acordo com os dados que se têm vindo a recolher, referentes à aplicação desta nova modalidade. Evidentemente, esta apreciação tem por base os casos de sucesso na implementação do ensino virtual.
Porém, importa salientar que a adopção do e-learning não constitui por si só uma garantia de qualidade. Muito pelo contrário, o e-learning tem que ser de qualidade para que seja bem sucedido. Na verdade, se a experiência da UAb comprova como o ensino virtual pode melhorar a qualidade da aprendizagem, também há um grande número de outros casos que nos permitem concluir o contrário. Em todo o caso, acautelando todas as condições necessárias para garantir a qualidade dos cursos, a oferta pedagógica virtual constitui uma excelente alternativa para a formação universitária.

Biografia
António Moreira Teixeira é pró-reitor para Inovação em Ensino à Distância da Universidade Aberta. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, obteve o grau de Mestre em Filosofia e Cultura pela mesma instituição. Também conta com um doutoramento em Filosofia. Docente na Universidade Aberta desde 1991, é investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, sendo Vice-presidente da Associação Ad Lucem. Integrou igualmente o Centro de Estudos em Educação e Inovação, o Centro de Estudos Históricos e Interdisciplinares e o Centro de Estudos em Didáctica da Filosofia da Universidade Aberta.

 


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