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#104 | MAIO 2018
 
LUÍS SERRANO
Professor e investigador da ADAI – IP LEIRIA
Evolução da qualidade dos combustíveis
 

Os combustíveis atuais pouco têm a ver com os combustíveis de há 10 anos atrás e menos ainda se recuarmos até finais do século XX.

As restrições ambientais impostas pelas entidades governamentais provocaram uma colossal exigência no desenvolvimento de tecnologias de redução de emissões poluentes por parte dos fabricantes dos motores de veículos. O sucesso destas tecnologias teve uma contribuição muito significativa, embora pouco reconhecida, por parte dos combustíveis. Na realidade, os combustíveis atuais pouco têm a ver com os combustíveis de há 10 anos atrás e menos ainda se recuarmos até finais do século XX. Apesar da controvérsia relativamente aos combustíveis existentes no mercado, pode-se afirmar que estes apresentam grande qualidade e cumprem com grande rigor as exigências normativas e as exigências tecnológicas impostas pelo mercado automóvel. Se alguns problemas pontuais existem, estes são na sua grande maioria associados a problemas no transporte e armazenamento já nos postos de abastecimento. Atualmente não existe um problema associado à qualidade dos combustíveis, existem sim preocupações relativamente aos requisitos para os combustíveis do futuro próximo.

Espera-se que a introdução de biocombustíveis aumente gradualmente, atingindo as metas definidas pela União Europeia, com quotas de combustíveis de origem renovável que correspondam a uma redução das emissões de CO2.

Expressão no mercado e alternativas ecológicas

Hoje em dia, o mercado é dominado pelo gasóleo que representa no mercado europeu mais de 2/3 do consumo por parte dos veículos rodoviários, representando a gasolina cerca de 1/4 desse mercado, sendo todas as outras fontes representativas de valores ainda residuais, como o GPL, GNC e a eletricidade. Nos últimos anos a grande alteração do mercado foi a introdução de biodiesel e bioetanol que são já uma realidade consistente no mercado europeu. Espera-se que a introdução de biocombustíveis aumente gradualmente, atingindo as metas definidas pela União Europeia com quotas de combustíveis de origem renovável na ordem dos 20%, garantindo que esta introdução corresponda a uma redução significativa das emissões de CO2 para a atmosfera devido ao ciclo de produção desses combustíveis. Com as recentes notícias relativas ao desenvolvimento de motores com a tecnologia HCCI (motores de ignição por compressão com carga homogénea), esperam-se novos desafios para o combustível a utilizar nestes motores, caso se venha a provar a sua efetiva utilização. Para além destes combustíveis mais tradicionais, será ainda expectável um aumento no consumo de outras fontes de energia, fundamentalmente no mercado de eletricidade, de Gás Natural Comprimido (GNC) e de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL).

Realidade nacional

Em Portugal, o produto combustível dos vários operadores do mercado é muito semelhante e produzido quase na totalidade no mesmo local. O que diferencia os diferentes combustíveis disponibilizados nos postos das diferentes marcas é o tipo de aditivos utilizados por cada um dos operadores. É fundamental perceber que todo o combustível colocado no mercado tem qualidade e cumpre os requisitos legais, sendo utilizados diferentes tipos de aditivos de modo a garantir essa qualidade. Por esta razão, quando se fala em combustível simples, ou sem aditivos, quer-se informar o cliente que determinado combustível está isento de aditivos que melhoram a performance do motor. Grande parte dos aditivos de performance utilizados permite garantir uma maior durabilidade e fiabilidade dos componentes do sistema de injeção e do motor, assegurando que mantêm as suas características otimizadas por mais tempo. Contrariamente à ideia mais comum, as eventuais diferenças de performance não são normalmente detetáveis de modo imediato, mas sim a longo prazo. A utilização de um combustível sem este tipo de aditivos irá sucessiva e lentamente causar um ligeiro decréscimo do desempenho do motor com repercussões ao nível do consumo e da potência disponível. Assim, a título de conclusão, se alguém deseja ter um carro por algum tempo, se quiser garantir que esse carro se mantém em condições adequadas e que a eficácia demonstrada também perdura, convém apostar em combustíveis aditivados, porque permitem manter a fiabilidade dos veículos e a manutenção do seu bom desempenho. O que acontece é que, ao longo do tempo, o aditivo permite que o motor e o sistema de injeção de combustível, mantenham as suas características.

Biografia
Miguel Franco é licenciado e mestre em Economia pela Universidade de Coimbra. Ocupa o cargo de Vice-Presidente para o Desenvolvimento de Negócios da Stratio Automotive, tendo sido antes Head of Marketing, Partner Acquisiton & Communication da ISA - Intelligent Sensing Anywhere.

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