SE NÃO CONSEGUIR VISUALIZAR ESTA EDIÇÃO ELECTRÓNICA CLIQUE AQUI
#93 | MAIO 2017
 
PEDRO SILVA
CEO da Efacec Eletric Mobility
"A Efacec desenvolveu uma rede de parceiros a nível global"
 

Qual é o historial da Efacec em Portugal no que se refere à instalação de postos de carregamento para veículos elétricos?
A Efacec faz parte do consórcio que desenvolveu a rede piloto mobi.e, que começou a ser instalada em 2010 e que, após sucessivos adiamentos por parte das entidades oficiais, está agora a ser terminada. O papel da Efacec no consórcio foi precisamente o de desenvolver e produzir 1250 postos de carga normal e rápida para serem instalados na via pública e áreas de serviço. Paralelamente a este projeto, fornecemos a maioria dos carregadores de VEs em Portugal, nomeadamente para entidades privadas como marcas automóveis e operadores de postos de carregamento.

De que forma é que observa a evolução da rede de abastecimento para veículos elétricos no país, comparativamente ao mercado internacional?
Passados anos de estagnação no desenvolvimento e atualização da rede mobi.e, há cerca de um ano, a rede piloto recomeçou a ser instalada e a completar o que faltava, de onde se destacam os 50 postos de carga rápida que vieram a complementá-la, permitindo aos utilizadores de VEs realizar viagens de maior alcance geográfico através das principais autoestradas portuguesas. O que se revelou ser um importante passo no desenvolvimento de todo o setor da mobilidade elétrica em Portugal. Para além desse projeto, começam a existir outros, nomeadamente da Galp, de marcas de automóveis e de autarquias, esperando-se que Portugal recupere o atraso e que alinhe com uma tendência que já parece inevitável: a da crescente eletrificação do setor automóvel.

Em termos gerais, como comenta a importância da mobilidade elétrica face às formas de energia baseadas em combustão interna?
A mobilidade elétrica é mais limpa e já é mais económica do que no início da atividade - e será cada vez mais com a massificação do setor. Potencia modelos de mobilidade e de negócio inovadores, e é mais sustentável se o mix de geração de eletricidade tiver percentagem significativa de fontes renováveis. Além disso, será também benéfico para a economia do país, pois permite que se desenvolvam competências para exportar produtos e serviços.

Na sua opinião, o fim anunciado dos motores a gasóleo (diesel) poderá ter como impacto positivo o crescimento mais acelerado da mobilidade elétrica?
Claro que sim. Tudo se vai alinhando de acordo com a tendência que se tem verificado nos últimos anos, que assenta no crescimento cada vez mais acelerado e massificado da mobilidade elétrica no mundo. A indústria automóvel tem acompanhado e redirecionado as suas prioridades de investimento para o desenvolvimento de novas soluções elétricas e, certamente, os cidadãos estão também informados e conscientes deste futuro, mais ou menos próximo, que nos conduzirá a uma economia mais sustentável, pelo que, obviamente, se espera que haja um crescimento mais acelerado da mobilidade elétrica ao nível mundial.

A Efacec coopera de forma muito próxima com fabricantes mundiais de veículos elétricos.

Como avalia o crescimento dos postos de carregamento da Efacec, no que se refere à cobertura nacional?
Importa referir que a Efacec não opera redes de carregamento, mas sim fornece equipamentos e soluções aos operadores. Os operadores de carga são entidades que instalam redes de carregamento, ou seja, são no fundo nossos clientes e parceiros. Nessa medida, as redes irão crescer à medida que os operadores sintam atratividade para tal. Para isso serão importantes os apoios nacionais, europeus e da indústria automóvel, pois nesta fase ainda não há clientes suficientes para a utilização dos postos. Mas o dilema do “ovo e da galinha” tem de ser abordado, tal como, aliás, se fez e se continua a fazer em todo o mundo mais desenvolvido neste setor.

Como descreve a oferta da Efacec em termos tecnológicos? Considera que a autonomia fornecida pelas soluções da empresa é satisfatória para o cliente final?
Primeiramente há que clarificar que a autonomia de um veículo elétrico depende da capacidade da sua bateria com que os fabricantes o dotam, e não da potência a que é carregado. A Efacec tem uma oferta diversificada que cobre todas as potências e tecnologias necessárias aos diversos tipos de baterias dos veículos elétricos. O nosso portefólio de produtos é bastante diversificado, pois fornecemos equipamentos com potências desde 3,7 até 350 kW, compatíveis com os standards existentes no mercado (CCS, CHAdeMO e AC), sendo, portanto, uma gama de produtos capaz de carregar qualquer veículo.

No âmbito do projeto Evolution, a Efacec encontra-se a desenvolver soluções inovadoras para o carregamento de veículos elétricos. Em que consiste este projeto?
O projeto Evolution inclui um conjunto de tecnologias que a Efacec está a desenvolver, e que tem vindo, no decurso da iniciativa, a lançar no mercado. Destacam-se os carregadores de potência elevada, até 350 kW, destinados aos futuros veículos de grande autonomia, existentes já no mercado. Temos ainda soluções que visam a melhor integração dos veículos nas limitações da rede elétrica para os carregar. Neste âmbito, acabamos de lançar no mercado soluções de carregamento associado a armazenamento de energia, que patenteamos e que visam diminuir o pico de consumo de potência à rede, e estamos a trabalhar em soluções de bidirecionalidade para poder usar a energia acumulada na bateria do veículo, de forma a dar suporte à rede. O projeto inclui ainda desenvolvimentos em carga sem fios, bem como soluções de gestão inteligente de carregamento e de online monitoring.

Sabemos que a Efacec possui planos de expansão da sua oferta de carregamento elétrico para veículos, em países da Europa e dos EUA, existindo já operações na Alemanha. De que forma comenta a estratégia de internacionalização da empresa para a mobilidade elétrica?
Já fornecemos soluções de carregamento para operadores em mais de 40 países, com destaque para toda a Europa e Estados Unidos. Para além destes dois principais mercados, estamos envolvidos em projetos em outras geografias, que estão neste momento não tão adiantadas no setor da mobilidade elétrica como, por exemplo, na América Latina, Médio Oriente, Sudeste da Ásia e Austrália.

Atualmente, que parcerias de relevo a Efacec detém para a realização da sua atividade?
A Efacec desenvolveu uma rede de parceiros a nível global, que ajuda a empresa a atuar nos diversos mercados. Desta rede, destacamos alguns operadores globais que apenas usam os nossos produtos, bem como várias empresas de referência nos mercados em que operam. Isso permite-nos ser líderes de mercado em muitos países. Para além disso, temos distribuidores e agentes que complementam esta rede de parceiros. Além disso, a Efacec coopera de forma muito próxima com muitos fabricantes de veículos elétricos, o que nos permite estar sempre envolvidos nos avanços e desenvolvimentos do setor.

Na sua opinião, de que forma as soluções de carregamento elétrico da Efacec se diferenciam da concorrência?
A nossa gama de produtos caracteriza-se por ser bastante diversificada, tecnologicamente evoluída, com qualidade e fiabilidade, assim como por uma grande flexibilidade para adaptar os produtos aos mais diversos clientes, tanto tecnologicamente como ao nível do design. Tudo isto complementado com uma eficaz organização de suporte aos clientes, alavancada através dos nossos parceiros no mundo.

A Tesla pretende apostar brevemente na instalação de superchargers elétricos em Portugal, havendo já pontos definidos sobre os locais de acesso, com parcerias envolvidas como hotéis, por exemplo. De que forma a Efacec perspetiva o aparecimento deste tipo de concorrência no país?
A Tesla não será concorrência para a Efacec, pois nós não operamos redes de carregamento. Os carregadores Tesla apenas são uma solução de carga para os veículos da própria marca. Vemos a estratégia de expansão da rede de carregamento da Tesla positivamente, pois acreditamos que potenciará as vendas de carros da marca - e isso é positivo, uma vez que, para além de os veículos Tesla poderem também usufruir dos nossos equipamentos, acreditamos que em parte incentivarão o desenvolvimento do mercado de veículos elétricos.

Biografia
Pedro Silva possui um MBA em Business Management pelo Instituto Empresarial Portuense. É licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. É atualmente Diretor Geral da Efacec Electric Mobility. Anteriormente desempenhou diversas funções no Grupo Efacec, nomeadamente, como Vice-Presidente da Comissão Diretiva de Transportes e Logística BU do Grupo Efacec e Administrador da Efacec Brasil, Efacec Sistemas de Eletrónica, Chairman da Efacec USA e Vice Presidente da Power Solutions Brasil.

ÚLTIMAS ENTREVISTAS
Edição Osvaldo Pires Design Lília Correia
Produção Lília Correia Publicidade comercial@algebrica.pt
Esta mensagem está de acordo com a legislação Europeia sobre o envio de mensagens comerciais: qualquer mensagem deverá estar claramente identificada com os dados do emissor e deverá proporcionar ao receptor a hipótese de ser removido da lista. Para ser removido da nossa lista, basta que nos responda a esta mensagem colocando a palavra "Remover" no assunto. (Directiva 2000/31/CE do Parlamento Europeu; Relatório A5-270/2001 do Parlamento Europeu).

jdahdladhdl