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#97 | OUTUBRO 2017
 
HELENA SILVA
Diretora Técnica do CeiiA
Desenvolvemos produtos em parceria com a indústria automóvel
 

A atividade do CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto está focada no desenvolvimento de inovações tecnológicas, desde o conceito ao desenho de soluções, nomeadamente, em áreas como exteriores e interiores de veículos, painéis de instrumentos, chassis e componente elétrica. Em termos gerais, como avalia o papel atual do CEiiA no âmbito de projetos inovadores para a indústria automóvel?
O papel atual do CEiiA em projetos inovadores para a indústria automóvel situa-se a três níveis: primeiro, no desenvolvimento de módulos e sistemas; depois, nos sistemas de conexão de veículos e plataformas; e, por último, a um nível mais estruturante para a indústria portuguesa com o desenvolvimento de novos veículos, como é o caso do projeto BE. O BE é um projeto para o desenvolvimento de um demonstrador de um veículo interativo com funções autónomas, desenvolvido numa parceria liderada pela TMG e que envolve várias universidades, centros de I&D e empresas portuguesas (como a EFACEC, Inapal Metal, GMV, entre outras). Neste projeto pretende-se desenvolver soluções inovadoras ao nível dos interiores interativos, das estruturas com novos materiais, das funções autónomas e da conetividade, bem como de novas formas de carregamento de veículos que estão ligados em tempo real ao mobi.me, permitindo o seu uso em vários serviços nas cidades do futuro.

O portefólio de projetos do CEiiA inclui colaborações com alguns dos principais fabricantes (OEM) de automóveis e de 1º equipamento (Tier 1). Quais são os principais fabricantes internacionais com que o Centro se encontra a desenvolver soluções para os veículos automóveis?
O portefólio do CEiiA inclui colaborações com construtores globais, como é o caso da Daimler, do grupo PSA, da Volkswagen, da Renault Nissan, entre outros. A título de exemplo, e na sequência do que foi referido anteriormente, no caso do grupo PSA temos vindo a trabalhar nos últimos anos no desenvolvimento de módulos para os interiores de veículos. Relativamente à Daimler e à Renault Nissan, estamos a operar ao nível da conexão de veículos e plataformas.

Em termos nacionais, o CEiiA detém, igualmente, parcerias com fornecedores da indústria automóvel. Neste domínio, que tipo de soluções têm sido mais focadas?
O CEiiA trabalha com vários fornecedores nacionais da indústria automóvel, quer em prestação de serviços de engenharia, quer no apoio ao desenvolvimento de novos produtos - em áreas como os interiores do futuro (caso da Simoldes ou da TMG), exteriores e estruturas com novos materiais (caso da Inapal Plásticos, Inapal Metal ou da Fibrauto) e até, por exemplo, ao desenvolvimento de carregadores elétricos, como é o caso da EFACEC ou da Magnumcap.

A condução autónoma é uma vertente de desenvolvimento que já começa a gerar resultados visíveis um pouco por todo o mundo, com o CEiiA a deter projetos nessa área com a indústria de fabricantes. Em que consistem estes projetos e em que fase de desenvolvimento se encontram?
A condução autónoma e conectada é uma área de trabalho importante do CEiiA. Nesta área, estamos preocupados com o desenvolvimento da tecnologia, mas também da legislação, que devem ser desenvolvidas em simultâneo. Estamos numa fase de desenvolvimento de vários devices de mobilidade que se ligam ao mobi.me e, quando passarmos para a fase de teste em cidades, a legislação deve acompanhar essa evolução para se evitar situações como a da UBER. Assim, para além de projetos como o BE e outros devices de mobilidade, estamos a desenvolver o projeto para a criação de ZLT - Zonas Livres Tecnológicas, coordenado pelo Ministério do Ambiente, tendo em vista a liderança das cidades portuguesas na criação de espaços para o teste e a demonstração destas tecnologias de forma segura e próxima do ambiente real. Um exemplo disso é o recente criado living lab criado em Matosinhos ou a ZLT, criada no eixo Matosinhos – Porto – Gaia.

O portefólio do CEiiA inclui colaborações com construtores globais, como é o caso da Daimler, do Grupo PSA, da Volkswagen, da Renault Nissan, entre outros.

Relativamente aos veículos partilhados (car-sharing), quais são as grandes apostas do CEiiA neste momento?
A grande aposta do CEiiA neste momento vai para a integração dos diferentes serviços para o utilizador final. O objetivo passa pela combinação de forma integrada de serviços como o car-sharing com outras formas de mobilidade, dependendo das distâncias, como o scooter-sharing e o bike-sharing com outras soluções modais. Isto é possível porque a plataforma mobi.me é “agnóstica” e permite a integração de todo o tipo de objetos e operadores de mobilidade em tempo real, possibilitando a gestão e operação de vários serviços de mobilidade partilhada (car-sharing, scooter-sharing, bike-sharing) e on-demand (como por exemplo táxis) de forma integrada com outros serviços e com os transportes públicos.

Neste momento, o CEiiA possui soluções concretas e parcerias para a mobilidade elétrica?
O CEiiA, além de gerir e monitorizar a rede de carregamento implantada em todo o território nacional, tem várias soluções de gestão de serviços de mobilidade que integram a componente da mobilidade elétrica, como por exemplo o sharing corporativo, on-demand, car-sharing, scooter-sharing, bike-sharing, entre outros. Existem vários casos implementados, entre os quais destacamos o Ubergreen com a Uber, a frota elétrica da ONU no Brasil, a frota corporativa da ITAIPU Binacional, scooter-sharing com a Contra em Lisboa, Barcelona, Madrid e Roma, frota de táxis elétricos na Turquia, sharing corporativo com vários operadores nacionais e internacionais, entre outros.

Sobre os serviços de mobilidade partilhada, no contexto das smart cites, o CEiiA firmou já um protocolo com o Brasil, no qual a sua tecnologia mobi.me visa conectar veículos e infraestruturas para integrar diferentes sistemas de informação. É possível detalhar melhor os objetivos envolvidos e a importância deste negócio para o Centro e para o setor automóvel?
Os objetivos envolvidos têm a ver com o posicionamento do mobi.me como integrador com outros sistemas de mobilidade de cidades para permitir chegar à fatura da mobilidade até 2020. O Brasil é um importante mercado porque nos dá dimensão e escala necessárias para globalizar as nossas soluções de mobilidade desde logo para a América Latina.

De que forma descreve a estratégia de internacionalização do CEiiA?
A estratégia do CEiiA passa por desenvolver e testar a partir de Portugal para o mundo - tal como fizemos na área da mobilidade com o mobi.me que, a partir da nossa parceria com a ITAIPU Binacional, nos possibilitou implementar a nossa plataforma em várias cidades brasileiras, como é o caso de Curitiba, de Brasília, de Campinas e, mais recentemente, no Estado de Minas Gerais.

Como comenta a evolução atual do Centro e o seu papel mobilizador na indústria automóvel?
O papel de mobilizador da indústria automóvel tem muito a ver com a nossa capacidade de conceber e desenvolver produtos posteriormente industrializados por empresas nacionais, completando a cadeia de valor da conceção à industrialização. Isto tem um efeito de arrastamento na indústria portuguesa. Apesar de todos os trabalhos em curso, o CEiiA é uma organização muito jovem à escala internacional. Começámos a colaboração com a indústria prestando serviços de engenharia (na área de design e cálculo); depois, evoluímos de forma cumulativa para o desenvolvimento de produtos para terceiros (caso do Buddy da Noruega e do KC390 da Embraer) e, hoje, desenvolvemos produtos próprios em parceria com a indústria e as universidades nas áreas do automóvel, mobilidade, aeronáutica e mar, como é o caso do projeto BE. Naturalmente, quando começámos a trabalhar em veículos elétricos - há cerca de 10 anos - ninguém acreditava no tema. Para evoluir tivemos de desafiar o que estava antecipadamente definido, demonstrando que era possível. Isto aconteceu-nos em várias áreas e de várias formas. Hoje podemos dizer que esta forma de construir resume bem a essência do CEiiA!

Biografia
Helena é licenciada em Engenharia de Fabricação e possui um mestrado em Gestão e Estratégia Industrial pelo ISEG. Atualmente é Diretora Técnica (CTO) do CeiiA. Anteriormente foi Board Adviser no mesmo Centro. Antes disso, entre 1997 e 2001, foi Manufacturing Engineering na VW Autoeuropa.

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